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Gestão de Entrega

Como fazer a cotação de frete rodoviário

Calcular o valor de um frete é mais complicado que se imagina. Para o consumidor final, costuma-se abrir uma calculadora automática no e-commerce e descobrir em segundos o valor.

Mas para um embarcador, o contato inicial com o transportador para uma cotação de frete é só um passo. Depois disso, diversos fatores são considerados para chegar num valor final e a carga sair na estrada.

Quais são as etapas envolvidas para fazer uma cotação de frete?

É preciso conhecer as etapas que englobam todo o processo de entrega, não apenas na hora da cotação. Por exemplo:

  • identificar o perfil de carga;
  • compreender o modelo de negócio;
  • ter ciência de quando o cliente precisa receber o produto em um prazo estipulado;
  • entender quando será preciso alocar ajudantes para separação, se será necessário usar paleteira ou algum equipamento na descarga;
  • projetar o tempo que o veículo ficará esperando;
  • se existe a necessidade de agendar a entrega;
  • avaliar se é uma zona de difícil acesso etc.

Todas essas informações são fundamentais para o direcionamento da operação e a homologação de parceiros de transporte. É feita, então, a cotação de frete com a certeza de que bons aliados foram capacitados e que todas as decisões foram tomadas, em conformidade com as necessidades da companhia.

7 Fatores que impactam a cotação de frete

#1 Tabela de Frete

A tabela de frete está em vigor no Brasil desde 2018 e vigora como lei para valores mínimos de pagamento. Descumprimento por parte do contratante pode resultar em multa de até R$ 10,5 mil, enquanto o motorista que aceitar fretes com valores abaixo da tabela ficam sujeitos à multa de R$ 550,00.

Por isso, a tabela de frete tende a ser o primeiro passo para qualquer cotação, pois o seu descumprimento pode acarretar represálias drásticas.

Veja a tabela completa e atualizada no nosso artigo Entenda tudo sobre a Tabela do Frete da ANTT

Na Tabela do Frete, o valor é aplicado por quilômetro rodado e categoria da carga.

Veja alguns exemplos:

  • Caminhão de 3 eixos, 400 KM rodados, Carga Geral (com frete retorno garantido) = R$ 1332,00
  • Caminhão de 5 eixos, 200 KM rodados, Carga Neogranel (sem frete retorno) = R$ 1980,00
  • Caminhão de 8 eixos, 900 KM rodados, Carga Perigosa (sem frete retorno) = R$ 8928,00

Esses valores são o mínimo que deve ser pago por Lei para um motorista. Entretanto, existem outros fatores que elevam o preço pelo serviço de logística em uma cotação.

#2 Peso Bruto x Peso Cubado

Existem duas formas de medir a carga em um caminhão:

  1. Peso bruto: literalmente o peso que a carga tem
  2. Peso cubado: mede o volume que a carga ocupa no caminhão

Ambos têm sistemas de precificação diferentes e para facilitar a vida do contratante e do transportador, costuma-se adotar o de maior valor para o frete.

Por exemplo, imagine que um caminhão vai transportar papel higiênico. Essa carga terá um valor maior no peso cubado do que no bruto.

Já uma carga de minério de ferro será mais benéfica se fretado pelo peso bruto.

#3 Frete CIF ou FOB

As abreviações CIF e FOB se referem a forma que será feita a cobrança sobre os riscos da logística. Isso inclui encargos por gerenciador de riscos e seguro.

  • Frete CIF: CIF significa em inglês “Cost, Insurance and Freight” (Custo, Seguro e Frete). Nessa modalidade quem fica responsável por pagar a gerenciadora de riscos e a seguradora é o fornecedor
  • Frete FOB: FOB em inglês significa “Free On Board” (Livre a Bordo). Nesse tipo de frete o comprador paga pela gerenciadora de riscos e a seguradora

Quando usar frete CIF ou FOB?

O frete CIF é usado nas relações B2C (business to consumer), na qual a venda é feita para o consumidor final.

Nesse caso é vantajoso para o fornecedor pagar pelos riscos, pois pode perder vendas caso deixe na mão do comprador. Imagine se chegasse uma camiseta pelo correio para o seu José e chega junto mais uma conta?

O frete FOB é utilizado para o transporte de mercadorias de alto valor agregado em relações B2B (business to business).

Deixar os encargos por parte do comprador nesses casos é mais vantajoso, pois os seguros para itens custosos diminuiria a lucratividade do transportador.

Saiba mais sobre o frete CIF e frete FOB

#4 Nota Fiscal

Nos casos de um frete com alto valor agregado, a transportadora cobra um valor adicional. O motivo é pela necessidade de uma cobertura maior da seguradora.

Existem casos mais extremos em que o produto é tão valorizado que necessita de uma escolta armada, o que também aumentará o valor do frete.

#5 Gerenciadora de riscos

Outro item relacionado à segurança da carga é a contratação de uma gerenciadora de riscos. Os transportadores que disponibilizam essa funcionalidade cobram mais por isso.

O objetivo de uma gerenciadora de riscos é prevenir o extravio da carga ou danificações ao prever ocorrências que poderiam acontecer durante o transporte.

Para esse trabalho, a gerenciadora de riscos cobra duas taxas, ambas repassadas ao contratante do frete:

  • GRIS: taxa proporcional ao valor da nota fiscal, que visa cobrir o orçamento necessário para prevenir o furto da carga
  • Ad valorem: é uma taxa para cobrir a carga enquanto o caminhão está parado, como por exemplo enquanto o motorista dorme em um posto de gasolina

#6 Vale pedágio

De acordo com a lei 10.209, o contratante (transportadora ou embarcador) obrigatoriamente precisa pagar o vale pedágio ao caminhoneiro autônomo.

A medida visa proteger o motorista, que antes da aprovação da lei tinha o valor do pedágio “embutido” no frete. Isso significa que era comum sair no prejuízo, pois esse valor era estimado.

O vale pedágio também protege o contratante, pois obriga o motorista a seguir a rota pré-determinada já que os valores são referentes a pedágios específicos. Isso evita o roubo de cargas e facilita o acompanhamento do trajeto.

#7 Taxas

Existe uma série de taxas que deve paga no transporte de bens, que claramente afetam a cotação do frete. Segue uma lista abaixo das principais taxas que devem ser pagas pelo contratante ao transportador:

  • Taxa de coleta e entrega: é um valor cobrado pelo transportador pelo serviço de buscar a mercadoria e por entregá-lo depois
  • Taxa de restrição do trânsito (TRT): cobrado quando a carga precisa ser entregue em uma região com restrição de caminhões grandes, como a capital São Paulo
  • Taxa de dificuldade de entrega: valor que o contratante paga quando a carga deve ser entregue em uma região arriscada, como por exemplo em uma estrada de terra propensa a enchentes
  • Taxa de agendamento: diversas transportadoras cobram essa taxa quando o embarcador marca horário específico para coleta da carga
  • Frete mínimo: Quando a entrega é feita em uma distância curta ou o peso da carga é pequeno, cobra-se o valor “frete mínimo” para evitar prejuízo ao transportador

Como fazer a cotação do frete após saber esses 7 fatores?

Agora que você sabe os fatores principais, como chegar de fato num valor específico pelo seu frete?

A resposta é correr atrás de transportadoras com algumas informações nas mãos:

  • Peso da carga
  • Tipo da carga
  • Tipo de caminhão compatível
  • Modelo de carroceria desejada
  • Origem e destino da entrega

Pronto. Com essas informações você pode entrar em contato com diversas transportadoras e pedir para elas mesmas fazer a cotação de frete. Se você deseja que a carga tenha rastreamento, pergunte se isso pesa na cotação também.

Parece trabalhoso? Então limite sua pesquisa para até 3 transportadoras. Agora que você sabe os fatores que impactam numa cotação, você pode questionar minuciosamente o valor cobrado em vez de leigamente aceitá-lo.

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