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Gestão Logística

Xiii, a casa caiu! Esqueça o que você sabia sobre logística, isso não vale mais!

Os conceitos que você estava usando em logística eram da década de 50, e em Supply Chain, da década de 80.

Pelo menos 40 anos se passaram e, até agora, pouca coisa tinha mudado.

De repente veio o Covid, o mundo virou de ponta cabeça e, com incrível agilidade, as operações logísticas e de Supply Chain se transformaram.

E você? Conseguiu se ajustar à nova realidade? Está preparado para enfrentar os novos desafios?

Acompanhar as inovações é bem difícil, pois demanda muito tempo para manter-se atualizado neste mundo de informações desencontradas e, muitas vezes, inúteis e mentirosas.

Minha ideia é ajudar você nisso. Começo hoje uma série de conversas sobre tecnologia e aprendizagem em Logística e Supply Chain. Agradeço à FreteFy pela oportunidade e parabenizo a empresa pela visão revolucionária que vem construindo.

Vou fazer o possível para facilitar o seu aprendizado nestes novos temas e oferecer pílulas de conhecimento que permitam a você rapidamente ficar confiante e enfrentar as mudanças. Sempre que puder, lhe darei também elementos para você se aprofundar nos assuntos, caso deseje.

Começo discutindo o grande questionamento que a pandemia trouxe para os conceitos de Just in Time e outros princípios Lean aplicados ao Supply Chain. Por isso o crescimento da importância dos temas Resiliência e Gestão de Risco.

Resiliência é a capacidade de retornar a um determinado nível de operação após algum efeito disruptivo na cadeia de suprimentos. Este retorno tem duas variáveis muito importantes: o tempo que vai levar para se recuperar e quanto do nível perdido você vai conseguir atingir na volta.

Quando foram interrompidas as cadeias de suprimentos globais com origem na China por causa do Covid, alguns setores produtivos tiveram grandes problemas, principalmente os de óptica eletrônica, autopeças, fármacos e biotecnologia, pois a região de Wuhan era o grande fornecedor mundial.

Como a filosofia Lean estava no auge de suas aplicações, os níveis de estoque ao longo destas cadeias eram muito baixos e a interrupção do fornecimento regular de matérias primas e de produtos semimanufaturados levou rapidamente a problemas de stock out. Começaram a faltar vários insumos e, em algumas situações, isso se mantém até hoje.

Neste momento, em cena o segundo conceito que comentei: a Gestão de Risco, ou seja, acompanhar os riscos em termos de probabilidade de ocorrência e grau de impacto potencial e criar planos de contingência para minimizá-los, sem deixar de lado a questão de custos.

É óbvio que as cadeias de suprimentos que estavam operando em níveis mais altos de estoques se saíram melhor durante a interrupção. Mas, provavelmente, operavam em níveis mais altos de custos durante os períodos de normalidade, e eram menos competitivos por isso.

Naquele momento, destacaram-se os bons profissionais de supply chain que conseguiram rapidamente reorganizar as cadeias de suprimentos dando maior resiliência, também em virtude de uma boa gestão de riscos e de planos de contingência eficientes.

Como consequência disso, fábricas foram realocadas em outros países, o número de fornecedores foi multiplicado ou dividido e operações locais foram incrementas, de forma a minimizar os riscos desta natureza. O mesmo aconteceu quando ocorreram os grandes Tsunamis na Ásia, mas aprendemos pouco com isso.

Caso queira aprofundar neste tema, sugiro o artigo Assessing the trade-off between lean and resilience through supply chain risk management dos autores Marinko Maslarić, Todor Backalic, Svetlana Nikolicic, e Dejan Mirčetić, todos da University of Novi Sad, de Belgrado. Ele foi publicado em 2013 no International Journal of Industrial Engineering and Management mas é extremamente atual e didático para se entender o paradoxo Lean e Resiliência nas cadeias de suprimentos.

Se quiser conhecer as práticas atuais, leia também o estudo da Mckinsey que discute as tendências das cadeias de suprimento no pós-covid, com insights bem interessantes.

Paro por aqui, até a próxima e lembre-se:

Se aprendeu, agora é hora de desaprender e reaprender para acompanhar as mudanças. Sem medo de ter dúvidas.

Vem comigo!

ESCRITO POR

Orlando Fontes Lima Júnior

Professor Titular da UNICAMP Criador e Coordenador do LALT (Laboratório de Aprendizagem em Logística e Transportes) www.lalt.fec.unicamp.br